Abertura da 2ª Conferência Municipal de Educação é marcada por manifestações culturais e importantes debates
12/12/2021762 visualizações
A Prefeitura Municipal de Barra do Choça, por meio da Secretaria de Educação, realizou na noite desta quinta-feira (9) a 2ª Conferência Municipal de Educação para análise, discussão e elaboração das diretrizes educacionais para os próximos anos junto à participação social.
O evento é o mais importante para a Educação pois as proposições discutidas nortearão os próximos anos da gestão educacional no município por meio do Plano Municipal de Educação (PME). Para isso, o professor e especialista em ensino e PME, Renê Silva, foi o palestrante da noite.
Os alunos do Centro Educacional José Amorim (CEJA) realizaram duas manifestações culturais, com instrumentos musicais, pintura corporal, figurino a caráter e dança, fruto de projetos extracurriculares realizados na escola.
Na sequência, Flávia Brito foi responsável pelo momento de reflexão e espiritualidade, em que, citando Cora Coralina, ao final, falou sobre a coragem necessária para recomeçar e ressignificar o futuro. “A vida deve continuar”.
“Precisamos lutar por uma educação que liberte, que valorize o ser humano e a vida, que não venha elitizar, segregar, mas que seja a ponte entre as pessoas”, declarou Marcos Viana, educador e coordenador do Fórum Municipal de Educação (FME), primeiro da mesa a discursar.
Marcos externou a insatisfação da categoria com as políticas públicas que não atendem o aluno ou os profissionais. Para ele o momento é de extrema importância pois coloca a educação em foco, bem como os anseios para o ensino. “Vamos lutar por uma educação que aproxime as pessoas”, finalizou.
O secretário da pasta, Ricardo Amorim, relembrou a 1ª Conferência, realizada em 2014 na escola municipal Maria da Glória. Na ocasião, foi elaborado o 1º PME, que é decenal e guia os profissionais da educação acerca do ensino no município.
“A nível federal não há o cumprimento do Plano Municipal de Educação, mas não devemos perder as esperanças, os governos municipais e estaduais têm lutado para tentar cumprir as metas estabelecidas”, pontua o secretário.
Ricardo aproveitou o momento para expressar sua gratidão às famílias pelo empenho e parceria junto às escolas durante o período de aulas remotas. Ele ainda citou os incansáveis esforços do município para garantir aos alunos a acessibilidade.
“Aqui agradeço às famílias. Graças a atuação delas conseguimos trabalhar. A pandemia escancarou as desigualdades sociais, por isso elaboramos atividades para alcançar todos os estudantes, com ou sem acesso a instrumentos de navegação de internet. Foi um trabalho conjunto”, reafirmou Amorim.
Ao final de sua fala, o secretário apresentou dados animadores sobre a educação do município. “Barra do Choça perdia, a cada ano, cerca de 200 alunos por matrícula. Nesse ano de 2021, mesmo com tantas dificuldades, o número de matriculados saltou de 7.200 para 8.050, uma grande conquista para nós!”.
O prefeito Oberdan Rocha parabenizou a mobilização da Secretaria durante todo o ano e a dedicação incansável dos professores que, juntos, têm se dedicado a promover a segurança de alunos e profissionais para a volta às aulas presenciais em 2022. “É preciso buscar, através do diálogo e respeito, esse entendimento (das necessidades) para que possamos ter discussões frutíferas quanto às demandas da Educação.”
O professor Renê Silva parabenizou a equipe pela participação estudantil na Conferência, a terceira de dez, na semana, em que participou com alunos na plenária. “Vejo respeito com aqueles que pensam diferente. é por isso que não meço esforços para ir a lugares debater educação. Estamos vindo de quase dois anos de distanciamento social, nada substitui a presencialidade.”
“O Plano Municipal de Educação que temos é fruto do movimento de conferências iniciadas em 2010 e trata do que desejamos para a educação brasileira”, explicou Renê.
O professor falou sobre a importância de educadores pensarem a educação humanista, que compreenda diferenças. “Nossa educação ainda é eurocêntrica enquanto nossas raízes indígenas e africanas são folclorizadas. Nossa cultura local vai se perdendo na oralidade daqueles que morrem, dessa forma vamos perdendo nossa identidade. Temos, hoje, discursos sendo reproduzidos sem conhecimento ao passo que desconhecemos a história indígena, nossa raiz”.
E, ao término de sua fala, lembrou “precisamos ter consciência dos desafios históricos da educação pública agravados pela pandemia. O processo de educação brasileiro tem muitas fragilidades, mas devemos resistir e seguir na luta por políticas públicas eficazes, reais", bradou o educador.
Por ASCOM Barra do Choça
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